Dicas para investimentos e compras com desconto (invista em jóias, moedas e canetas de ouro)

December 22, 2008 by  
Filed under Diversos 3, Joalheria

Em leilão, investidores encontram bens até 40% mais baratos

O ambiente não lembra em nada um leilão. Os visitantes caminham entre corredores observando diversas jóias, além de moedas e canetas de ouro, como se estivessem em uma exposição. Apesar de não carregarem placas com valores e não haver a tradicional figura do leiloeiro, as pessoas estão ali para fazer um bom negócio, arrematando uma jóia penhorada abaixo do valor de mercado, por meio de lances.

“Acho que a compra de moedas, por exemplo, é uma boa forma de ter um investimento em ouro”, diz a participante Juliana Oliveira. A paulistana, porém, decidiu ir pela primeira vez ao leilão de jóias na Caixa Econômica Federal (CEF) para comprar um anel de diamantes para a filha, que acaba de fazer 18 anos. “Eu ganhei um anel quando era adolescente. Quero manter a tradição na família”, diz. A Caixa faz dois leilões desse tipo por mês na grande São Paulo e, no Brasil, ocorrem 30 ofertas mensalmente.

Juliana já teve que penhorar jóias no passado devido a dificuldades financeiras e, por isso, resolveu recorrer ao leilão de jóias para adquirir o presente da filha. O penhor é um empréstimo em que a pessoa dá como garantia anéis, colares, relógios, broches, entre outros artefatos. Caso o tomador não pague a dívida, o banco toma para si os bens dados e os leiloa.

Depois de muita pesquisa, Juliana se decidiu por um anel de ouro branco com um diamante, por um lance mínimo de R$ 210. “Consultei alguns joalheiros que vêm a esses leilões e eles recomendaram que eu oferecesse 30% a mais do valor para conseguir levar a jóia”, diz. Segundo ela, o preço de avaliação calculado pelas instituições geralmente fica abaixo do valor de mercado da jóia. Avaliadores da Caixa confirmam e dizem que a análise leva em conta o tipo e a qualidade do metal (ouro e platina, por exemplo), além da presença de algumas pedras preciosas, como diamantes. O valor das chamadas pedras de cor (esmeralda, rubi, safira, entre outras), no entanto, não é somado ao preço da jóia.

“No mercado, o ouro está sendo negociado entre R$ 45 e R$ 50 o grama. Na avaliação, o metal vale entre R$ 25 e R$ 28”, diz o gerente do setor de vendas da Caixa, Jerônimo Pompeu de Souza. A quantia representa um desconto de mais ou menos 40%. Por causa da diferença de preço e pelo metal ser uma aplicação em um bem físico, Juliana não tem dúvidas em dizer que, “se tivesse mais reservas, faria outros investimentos em ouro”.

Uma boa opção de presente

Os joalheiros e vendedores são maioria entre os participantes. Há algumas pessoas, porém, que freqüentam as disputas para tentar arrematar algo para si mesmo. “Sempre comprei jóias diretamente nas joalherias, mas vim ao meu primeiro leilão ver os preços para ter noção de valor”, afirma a médica Mitsue Kuroki.

A estrangeira Maria Escórcio, que a acompanhava, também compra jóias fora dos leilões, mas diz ter achado boas as oportunidades de compra no leilão da Caixa. “Pretendo dar um lance em um jogo de brincos e colar de diamantes e esmeraldas. Eles custam quase R$ 5 mil, mas devem valer umas três vezes mais. Tem ainda o design da peça, que não é contabilizado no preço oferecido em leilão”, diz a portuguesa. Em leilões, é possível encontrar presentes para ocasiões especiais, como o Dia das Mães, e até alianças, que podem ser derretidas pelo comprador para fazer uma nova jóia.

Mais de oito mil jóias e moedas em um só leilão

O leilão de jóias não tem uma disputa de lances tradicional. Primeiro, a Caixa realiza uma exposição dos artefatos penhorados, às vezes, por mais de um dia. Em geral, são mais de oito mil jóias em cada leilão e há bens para todos os bolsos. No leilão da Caixa do começo de maio, por exemplo, o lance mínimo variava entre R$ 63,00 (anel de ouro) e R$ 30 mil (colar de platina e ouro branco, com diamantes). Para saber características da jóia, como peso e valor, a pessoa pode acessar o catálogo do leilão, disponível no site do banco organizador. “Esses catálogos também são vendidos no dia da exposição, por R$ 20”, diz o gerente da Caixa. Pelo catálogo, também é possível se informar se as jóias apresentam algum defeito, como amassados.

Para participar, o interessado não precisa ser cliente do banco. Basta fazer um cadastro em uma agência da Caixa que possua penhor ou no próprio local da exposição. A pessoa também precisa entregar cópias do RG, do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e de um comprovante de residência. O cadastro irá gerar uma senha que o participante utiliza para dar o lance.

“As propostas são feitas nos terminais de auto-atendimento das agências”, explica Souza. Os lances são secretos. Ou seja, ninguém sabe do valor que o concorrente ofereceu. No dia seguinte à exposição, o banco faz a computação de todas as ofertas e divulga os vencedores, aqueles que oferecem os maiores preços. “Nesse mesmo dia, o vencedor tem que pagar a jóia ou, pelo menos o sinal, de no mínimo 30% da proposta”, explica o gerente da Caixa.

O investidor tem três dias após o pagamento do sinal para pagar o restante do valor. O participante só pode retirar a jóia a partir do momento que paga o valor total da oferta. O participante que fez uma proposta, mas desistiu do negócio, pode simplesmente não pagar a oferta. Assim, a jóia será ofertada em um novo leilão.

Para saber quais são os próximos leilões, é necessário acompanhar os sites dos bancos que realizam esse tipo de negócio.

Riscos

Durante a exposição, os visitantes não podem tocar as jóias, o que prejudica a avaliação das peças. Por isso, é importante que o participante anote atentamente as informações da jóia disponíveis no catálogo e observe se o bem é de qualidade. A avaliação da jóia é necessária para que a pessoa decida até quanto vale a pena pagar pelo bem. Caso contrário, pode levar o artefato por um preço maior do que vale.

O segundo risco é que o tomador do empréstimo, que teve o bem penhorado, acerte as contas com o banco no dia da exposição. “O devedor pode pagar a dívida até o dia da exposição. No dia seguinte, em que divulgamos o resultado, já não é possível recuperar a jóia”, explica o gerente da Caixa. Quando o tomador paga o empréstimo ao banco, o participante não tem nenhum prejuízo, já que ainda não pagou nada, somente fez a proposta. O único contratempo é que não poderá levar para casa o bem desejado.


Matéria: Yolanda Fordelone – AE – Estadão